- Como o mercado pornográfico, videogames e a pirataria podem definir o novo formato que substituirá os DVDs
O setor de Home-Video mobiliza US$ 57 bilhões anualmente. O setor teve seu nascimento com os filmes em VHS, transitou para seu auge com o DVD e agora novos rumos prometem mudar o mercado. Mas qual será o formato que irá predominar nas prateleiras?
Para substituir o DVD, haviam duas tecnologias: Blu-ray e HD DVD, ambos com maior capacidade de armazenamento, mas com suas desvantagens também. A diferença dos dois formatos para o tradicional DVD é o processo pelo qual ele é gravado, substituindo o antigo laser vermelho por um novo azul-violeta, que permite o disco armazenar entre 30 a 50 GB. Enquanto o Blu-Ray possui uma maior capacidade de armazenamento, seus discos e aparelhos de leitura são mais caros de serem produzidos; já o HD-DVD, tem uma capacidade menor, mas custa menos para ser produzido. A Microsoft, a Intel e a Toshiba apoiavam o HD-DVD, dou outro lado havia Philips, Apple e Sony, apoiando o Blu-Ray.
A briga, que dividiu o mercado, produtores e diretores, finalmente terminou, quando a Toshiba, anunciou que não iria continuar com o desenvolvimento do HD-DVD, deixando todo o legado do DVD para o Blu-Ray. Mas será que só ganhar essa disputa garantiu o lugar desta tecnologia no mercado?
E o a pornografia, onde entra nisso?
Nos anos 80, dois formatos estavam batalhando para estabelecer o mercado de Home Video: a Betamax e VHS. No começo, Betamax liderava a disputa como VHS, por possuir uma qualidade de vídeo e áudio maior, além de ter mais tempo de reprodução no formato. Após anos de disputas, acabou vencendo o VHS, quando, após muita indecisão de estúdios e distribuidoras sobre qual formato adotar, a industria pornográfica resolveu tomar seu partido no assunto.
Nos Estados Unidos, o mercado pornográfico lucra em torno de 13 bilhões de dólares por ano. Com a iminente entrada da industria de filme pornô na era de alta definição, os especialistas esperam pra ver se isso finalmente significará a consagração do formato pós-DVD. No início dos anos 80, os filmes eróticos quando optaram pelo formato VHS ao invés da Betamax o que acabou por definir essa tendência. O resultado disso é que as maiorias das locadoras da época possuíam uma grande quantidade de filmes pornôs e estes filmes se encontravam no formato VHS. Isto fez com que estas locadoras fossem retirando pouco a pouco os filmes no formato Betamax das prateleiras e um número cada vez maior de pessoas passou a comprar vídeos VHS e muito menos Betamax.
Apesar deste fator histórico, Andy Parsons, porta-voz da indústria do Blu-Ray, afirma que “É o produto convencional que dirige o mercado e este vem dos estúdios cinematográficos” e que o mercado pornográfico não terá esse poder para definir de vez o formato. Verdade é que as vendas de DVD estão diminuindo, de 80% há dez anos para 30 % hoje, enquanto a o volume de negócios na Internet aumenta. Steve Hirsch, criador da Vivid, uma das empresas que mais lucra no mercado adulto, afirma: “A televisão, os DVDs e a internet vão se incorporar em cinco anos. A televisão será o novo computador“. Ao que aparenta, o mercado pornô encontrou seu espaço em lançamentos exclusivos para internet onde fatura em mensalidades e em conteúdo segmentado.
A ameaça às locadoras

Apesar de estar passando por uma crise, as locadoras tem de tomar a difícil escolha de adotar ou não o formato Blu-Ray
As locadoras de vídeo continuam com o pé atrás da hora de mudar seu acervo de DVD para Blu-Ray, afinal, não foram muitas que locadoras conseguiram sobreviver a transição de VHS para DVD, e, mesmo quando o formato foi adotado e o boom desse tipo de loja ocorreu, foi bruscamente interrompido pelo avanço da pirataria do produto, e logo, os proprietários se resignam a esperar a reação do mercado até que seja inevitável adquirir um novo acervo de filmes.
Quem ganha mesmo neste processo são os fornecedores que vendem duplamente para os locadores, que acabam por ter uma receita bem menor e ai aumentam o preço do novo formato (como aconteceu com o DVD). Outra deficiência para o sistema no país é a falta disponiveis, já que, apenas os filmes mais recentes estão sendo lançados no formato, salvo algumas exceções.
E não é só de filmes que vive a indústria, mas sim de jogos também. A Microsoft apostou no HD-DVD em seu X-BOX 360. A Sony apostou em seu formato Blu-ray com o Playstation 3. Em termos de vendas, a Sony ainda precisa vender muitos consoles para chegar perto da plataforma criada pelo Bill Gates, mas mesmo assim os próximos X-BOX’s já não virão com tecnologia HD-DVD e já se fala até em um periférico que leia os discos de blu-ray. Mas a grande novidade mesmo nos videogames de nova geração são os conteúdos baixados. Como os novos consoles todos possuem HD a possibilidade de baixar jogos que rodam mais rápido e não se estragam com o passar do tempo. As desenvolvedoras de jogos estudam cada vez mais como adaptar esse formato para grandes lançamentos já que jogos como Resident Evil 5 e GTA 4, estão recebendo grandes adições as seus conteúdos graças ao download, o que, além de não ser afetado pela pirataria, torna desnecessário o uso de mídias físicas para jogar um jogo.
Alguns outros motivos…
A industria aponta também outros motivos pelos quais que o público não tenha demonstrado interesse em migrar para o novo formato. Para começar, o grande público não consegue ver a diferença dos dois modelos, já que para ter uma experiência completa no Blu-Ray é necessário uma televisão de alta definição e também um sistema de som auxiliar também a altura. Ou seja, nada adianta avançar para esse modelo mais avançado se o consumidor precisa necessariamente trocar todo seu equipamento da sala. Outro fator também é determinado por uma questão mais psicológica. O consumidor não sente a diferença quando compara um disco de Blu-Ray e um DVD. Ora, se quando tinha a Betamax e o VHS, o VHS foi escolhido por ter um tamanho quase duas vezes menor do que concorrente, e do VHS para o DVD, os modelos eram completamente diferentes, agora, comparando o Blu-Ray e DVD, os dois são muito parecidos em seu formato físico, fato, que não provoca qualquer sensação de passagem para um sistema mais moderno, a não ser para aquele consumidor com uma sistema Home Theater de última geração.
Outro formato mais interessante para o público americano seria o adotado pelo TiVo, onde um aparelho com capacidade de 120 GB de memória integrada grava até 25 horas de programas e filmes em alta qualidade sem necessitar de uma mídia física. O usuário pode programar seu sistema para gravar em qualquer horário ou canal, independente de estar em casa ou não, além de poder baixar catálogos de filmes no seu sistema. O que seria uma solução para o uso de mídias físicas.
A pirataria
O Blu-ray é a aposta das locadoras e dos estúdios para fugir da pirataria. O sinal do formato é criptografado, além de ter uma mídia virgem cara no mercado. Mas, mesmo assim, é tudo questão de tempo até que a tecnologia cai nas mãos do público e dos pirateadores.
Apesar de tudo, a reprodução de conteúdo em alta resolução não é impossível;Um estúdo da MPAB (Motion Picture Association Brasil) 59% de todos os DVDs virgens comercializados atualmente no País são cópias ilegais reproduzidas. A importação de CDs e DVDs virgens cresceu 490% entre 2005 e 2008, quando foram importadas 892 milhões de unidades. O auge do mercado nacional de DVD foi em 2006, com mais de 28 milhões de unidades vendidas. De 2006 a 2008, houve uma redução de mais de 4 milhões de unidades vendidas. As pesquisas revelam ainda que 42% da população brasileira admite comprar produtos piratas, sendo que os DVDs são o segundo produto mais procurado para esse tipo de consumo.
Fabricação de tecnologia Blu-Ray no Brasil
“A Sony, que liderou os consórcios dos principais padrões tecnológicos do mundo da alta definição, como Blu-ray e HDMI, investe fortemente no conceito Full HD. Para consolidação da marca, estamos iniciando a produção de novos equipamentos no país”. (Koji Ishikawa, Vice-Presidente da Sony América Latina)
O Brasil é conhecido por adotar tecnologias muito tempo depois de outros países, como, por exemplo, o DVD, que, apesar de ter sido lançado em meados de 1998 e 1999 na Europa e EUA, só chegou com força por aqui em 2002.
Os executivos das grandes empresas acreditam que o mercado do Blu Ray começará a se maturar mesmo em 2010, quando a previsão é que de ela seja responsável por metade do faturamento no setor de home vídeo. Para isso, as produtoras começam a investir pesado na fabricação do produto dentro do país. Além da Sony, a Panasonic também começam a fabricar tocadores em sua fábrica em Manaus, assim como a LG. Até mesmo a Tectoy, produtora nacional dos antigos videogames da Sega Master System e Mega Drive, anunciou a produção de um player 100% nacional. Essa medida visa fugir dos impostos relacionados à importação de eletrônicos que inflacionam os preções dos produtos em até 300%, como no caso dos videogames.
Enquanto o público ainda aguarda para ver qual formato será adotado, o Blu-Ray pena no mercado. Para começar, seu preço ainda não pode ser diminuído por causa do pouco mercado que conquistaram, além da concorrência com o DVD, o aparelho de Blu-Ray mais em conta custa até duas vezes mais que um aparelho de DVD.
A grande aposta fica para as vendas de natal deste ano, como acredita Raquel Martins, gerente de produtos de áudio e vídeo da LG, “A gente está embrionário. Mas o Natal vai ser o momento de um boom. E, com a produção local, haverá uma alteração de preços e o crescimento da tecnologia vai ser ainda maior”. Ganhar a disputa com o HD-DVD não garantiu ao Blu-Ray a hegemonia no mercado, e ao que aparente vai ser uma longa disputa se o formato quiser se instaurar de vez. E o futuro que se anuncia, não parece ser tão azul assim.





